Amores, paixões e fenômenos da natureza
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Existem diferenças entre os dois, que em muitos casos possuem uma linha tênue que os separa, tal qual um fio de teia de aranha. Em muitos casos só percebemos que a teia está lá quando o sol bate e revela sua localização. Somos humanos, com raio de visão limitado, globos oculares posicionados na parte frontal do crânio. Definitivamente visão apurada não está entre os atributos do ser humano.
A paixão é simples, mas com uma força descomunal. Tudo nela é muito bem amarrado. São somas e multiplicações que resultam nela, no melhor estilo expressão numérica, daqueles casos em que o resultado preenche duas folhas de resposta. Tudo aquilo que não estiver estruturado é levado por ela. Pegando carona em fenômenos da natureza, a paixão poderia ser comparada a um furacão ou enxurrada.
Tanto no furacão quanto na enxurrada, à primeira vista achamos que não há nada que possa ser feito. Lutar contra forças tão grandes seria inútil e daí nos deixamos levar pelo vento ou pela enxurrada, mas com uma peculiaridade em meio a esse caos: GOSTAMOS.
Todos os nossos sentidos são hiperativados em uma paixão. Olfato, visão, tato e paladar são aguçados de forma exponencial. Um perfume, um olhar diferente, um toque, gostos e sensações marcantes passam a dominar a alma. Uma voracidade que também é imediatista. A paixão quer consumir tudo o quanto antes. Quer entrega, quer rendição. É inconsequente, é avassaladora. E a paixão tem seus motivos para assumir tais formas. Ela tem sede de vida porque morre rápido, é volátil, perecível, sem conservantes que a façam durar. É uma brisa em dia quente. Ninguém come paixão com prazo de validade vencido. Se insistirmos, ficamos frustrados. O efeito entorpecente não está mais lá, nosso organismo já conhece o que consumimos, já criou resistência, já não há mais novidade. O organismo se estabiliza, espera pela próxima enxurrada ou próximo furacão.
O amor pode até ter nascido como paixão, mas nesse caso é outro tipo de estrutura, assumiu nova forma, não carrega tudo o que está pela frente. Pode soar piegas, mas o amor transcende a paixão à medida que esse vai criando raízes. O seu cultivo é lento e muitos não têm paciência de criar algo tão complicado e delicado, e por vezes o amor morre sem os cuidados necessários para que um dia ele venha dar frutos. Com o passar dos anos o amor adquire resistência, demonstra uma força que nem de longe poderia ser sustentada pela paixão. Resiste às tempestades, inúmeras delas. Dá frutos no momento certo, espalha sementes que carregam esse DNA de resistência. Há casos de amores fortes como sequoias ou árvores que vivem em locais desérticos. Árvores de raízes fundas, projetadas especialmente para adversidades, projetadas para resistir a tudo quando tudo jogar contra sua existência.
Novamente pegando carona na natureza, o amor é ouro ou diamante. Sua lapidação é complexa e não existe forma automática de se fazer isso. É um trabalho artesanal, feito à mão, com características de seu criador. É uma peça única, não é colecionável como a paixão. Sua exclusividade é chamativa, todos querem um amor pra chamar de seu, mas a maioria desiste ao saber do preço e do esforço que terá de fazer para adquiri-lo.
Acredito em Deus e às vezes me pego pensando em como Ele desenvolveu o amor, a paixão e botou isso em nós, suas criações.
Somos potenciais inexplorados, subutilizados, alheios a nós mesmos, alheios à nossa existência, apenas existindo em uma vida de amores e paixões?
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