Parafusos na garganta e borboletas no estômago
Escrevo para não morrer sufocado.
Escrevo para não ter a respiração bloqueada pelos parafusos que nascem no meu peito, tomam a corrente sanguínea e se alojam na minha garganta e estômago.
Entre várias xícaras de café, vou avaliando possibilidades, dimensionando estragos, calculando tragédias, cogitando perdas que podem acontecer (e vão).
Me sinto preso, me sinto um erro. Um retrato amarelo que quer ter cor, mas está há tanto tempo na moldura que pode simplesmente esfarelar se ousar sair.
Me sinto ingrato, me sinto desgraçado.
Pensamentos altos como de um adolescente, ciumento como um deles, ainda que com alguém que nem lhes pertença. A verdade é que ninguém pertence a ninguém e adolescentes são tão estúpidos! E quão maravilhoso isso é.
Velho demais pra sair, comprometido demais para largar tudo. Estacionado. Como uma árvore em beira de rodovia, que acompanha o ir e vir, mas prisioneira.
Sonho pra mim, guardo lá no fundo. Borboletas no estômago, como aos 15 anos de idade. Me sinto vivo, bem de longe, um parasita de felicidade.
Me sinto representado por Olavo Bilac, que antes do meu nascimento fez uma radiografia da minha alma nesse exato momento que vivo.
Com um medo tremendo de me tornar o vulto que desaparece na extrema curva do caminho extremo em Nel mezzo Del Camim.
Com um medo tremendo de me tornar o sofredor arrependido de Remorso.
Escrevo para não ter a respiração bloqueada pelos parafusos que nascem no meu peito, tomam a corrente sanguínea e se alojam na minha garganta e estômago.
Entre várias xícaras de café, vou avaliando possibilidades, dimensionando estragos, calculando tragédias, cogitando perdas que podem acontecer (e vão).
Me sinto preso, me sinto um erro. Um retrato amarelo que quer ter cor, mas está há tanto tempo na moldura que pode simplesmente esfarelar se ousar sair.
Me sinto ingrato, me sinto desgraçado.
Pensamentos altos como de um adolescente, ciumento como um deles, ainda que com alguém que nem lhes pertença. A verdade é que ninguém pertence a ninguém e adolescentes são tão estúpidos! E quão maravilhoso isso é.
Velho demais pra sair, comprometido demais para largar tudo. Estacionado. Como uma árvore em beira de rodovia, que acompanha o ir e vir, mas prisioneira.
Sonho pra mim, guardo lá no fundo. Borboletas no estômago, como aos 15 anos de idade. Me sinto vivo, bem de longe, um parasita de felicidade.
Me sinto representado por Olavo Bilac, que antes do meu nascimento fez uma radiografia da minha alma nesse exato momento que vivo.
Com um medo tremendo de me tornar o vulto que desaparece na extrema curva do caminho extremo em Nel mezzo Del Camim.
Com um medo tremendo de me tornar o sofredor arrependido de Remorso.
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